O SIGNIFICADO DO “NADA ACONTECE POR ACASO”

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“O que for a profundeza do teu ser, assim será teu desejo;
O que for o teu desejo, assim será tua vontade;
O que for a tua vontade, assim serão os teus atos;
O que forem os teus atos, assim será o teu destino.”
Do  Brihadaranyaba  Upanishad

“Nada acontece por acaso” – eis uma frase que há muitos anos escuto ser dita e repetida, quase que como um mantra da Nova Era, por milhares de pessoas em todas as partes. Eu inclusive. 

Sinto, entretanto, que muitas vezes quem menciona esta frase o faz sem atinar com o seu real significado. Já ouvi associações, por exemplo, a destino, determinismo, inevitabilidade, e até a ação de uma mão invisível que, por trás dos panos, planeja os principais acontecimentos da nossa vida, bons e maus, ou que arranja as coincidências e os encontros que acarretam as grandes mudanças. Desta forma, seríamos meras vítimas ou protegidos, dependendo do caso, da vontade ou do capricho melhor dizendo, de uma força superior que nos dirige inexoravelmente para algum destino incerto.

Bem, a título de contribuição, quero dar meu próprio entendimento do significado desta frase. Acredito, piamente, que os eventos que vivemos bons e maus, são resultado exclusivo das escolhas e decisões que tomamos. Mas o que está por trás destas escolhas e decisões? É o nosso julgamento, que por sua vez, decorre de tudo aquilo que nos foi dito, comunicado, transmitido, ensinado, mostrado, demonstrado, experienciado, sentido, sofrido, processado e que finalmente, nos fez chegar a uma dada conclusão que, infelizmente para nós, na maioria das vezes estava totalmente equivocada, já que distorcida por sentimentos e uma lógica imaturos.

Portanto, é o nosso sistema de crenças que condiciona o nosso julgamento, que nada mais é do que a maneira como avaliamos cada situação e acontecimento, antes de fazermos nossas escolhas e decisões. Por escolhas e decisões, entenda-se todas nossas atitudes, atos, palavras, sentimentos, emoções e até mesmo, nossos pensamentos, sejam estes conscientes ou inconscientes.

Assim sendo o desafio está em examinar nossas experiências sob a ótica da causa e efeito, ou seja, co-relacionando os acontecimentos que pontuam nossas vidas com nosso padrão de comportamento.

Neste sentido, as crises que nos acometem de tempos em tempos, tais como os insucessos profissionais, as dificuldades de relacionamento, as doenças, as perdas financeiras, os rompimentos afetivos e o sentimento generalizado de insatisfação que se segue, apenas para citar algumas possibilidades, nada mais são do que reflexo das nossas atitudes e do nosso comportamento cotidiano.

Precisamos deixar de lado o vago sentimento de que em algum momento no futuro ou em algum outro lugar e de alguma forma, vamos, finalmente, encontrar tudo que nos faz falta hoje e vamos melhorar nossa qualidade de vida. Pensando assim, apenas nos afastamos do único lugar aonde as coisas podem ser resolvidas, que é bem aqui dentro de nós e no momento presente.

Somos nós mesmos que damos forma às nossas vidas e ninguém mais. Não somos vítimas de nenhuma força ou vontade externa, ao contrário, somos totalmente responsáveis. Somos os redatores, diretores e protagonistas da nossa própria história e os demais personagens, os coadjuvantes, nos ajudam a entender melhor o roteiro, e fazer as correções necessárias, se assim o desejarmos.

A este processo de busca interior, ou de autoconhecimento, podemos dar o nome de processo de expansão, ampliação ou elevação de consciência, pouco importa o nome, pois o que conta mesmo é aceitar que a nossa realização pessoal, a qualidade da nossa vida, em todos os seus aspectos, depende diretamente da superação das nossas limitações internas.

Aceitar nossa auto responsabilidade é uma grande libertação, significa tomar o rumo da nossa vida nas próprias mãos, por que de fato, “Nada acontece por acaso”…

 

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O SER E O FAZER

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Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive”.

Fernando Pessoa

A cultura prevalecente em nossa sociedade sempre associou a figura do homem de sucesso e mais recentemente também a da mulher, às suas realizações, conquistas, capacidade de acumular bens materiais, sua posição social, seu poder de influenciar outras pessoas e, conseqüentemente, o rumo dos acontecimentos, e também a outros atributos, tais como elegância, beleza física, rapidez de raciocínio, sociabilidade, eloqüência e assim por diante. Claro que a lista pode variar conforme o caso, saindo um atributo e entrando outro, mas não mudando muito, em essência.

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Resiliência

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Grande parte do estresse do dia a dia decorre de nossa avaliação equivocada sobre o que de fato ocorre. Mudanças, desafios, são inexoráveis e inevitáveis, fazem parte da vida e são agentes propulsores do nosso crescimento pessoal, mas a forma como os enfrentamos pode fazer toda a diferença.

O termo Resiliência, ensina o Aurélio, vem da física, e significa a propriedade de um objeto retornar ao seu estado original, após cessar a fonte de energia que lhe causou uma dada deformação. Utilizo, figuradamente, Resiliência aqui, como sendo a nossa capacidade de enfrentar e superar as adversidades, os transtornos, e as mudanças inevitáveis em nossas vidas. O que o Aurélio não acrescenta, já que o contexto é outro, é que saímos mais fortalecidos deste processo! Continue lendo…

Sobre Autoestima I

“De todos os julgamentos que fazemos, nenhum é tão
Importante, quanto o que fazemos de nós mesmos”
Nathaniel Branden

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1. DEFINIÇÕES E CONCEITOS

Auto-estima significa ter amor por si mesmo, significa se gostar, se sentir bem consigo mesmo, valorizar-se na medida certa!. É algo freqüentemente ausente na maioria das pessoas em virtude de sentimentos inconscientes e conscientes, algumas vezes, até bem conscientes.

Sentimentos de inadequação, insegurança, confusão, medo, culpa, negatividade, rejeição, inferioridade e menos valia, por exemplo, afetam diretamente nossa auto-avaliação e conseqüentemente, nossa auto-estima. Muitas pessoas se referem á auto estima como sendo amor próprio, o que também está correto, já que as duas expressões têm o mesmo significado. Continue lendo…

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Sobre o Deboche, o Debochador e o “Debochado”

Danos MoraisConsulto o Aurélio e leio que deboche é o ato de zombar, escarnecer e desafiar com zombaria alguém. O autor do deboche é o debochador. Como não há uma palavra, pelo menos no Aurélio, para definir quem sofre a ação do debochador, vou usar “debochado” com esta finalidade, ainda que assim o fazendo, possa suscitar alguma confusão porque, quando se diz que “aquele cara é um debochado” significa, normalmente, que ele debocha dos outros (e, não, que sofre o deboche). Continue lendo…

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