Resiliência

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Grande parte do estresse do dia a dia decorre de nossa avaliação equivocada sobre o que de fato ocorre. Mudanças, desafios, são inexoráveis e inevitáveis, fazem parte da vida e são agentes propulsores do nosso crescimento pessoal, mas a forma como os enfrentamos pode fazer toda a diferença.

O termo Resiliência, ensina o Aurélio, vem da física, e significa a propriedade de um objeto retornar ao seu estado original, após cessar a fonte de energia que lhe causou uma dada deformação. Utilizo, figuradamente, Resiliência aqui, como sendo a nossa capacidade de enfrentar e superar as adversidades, os transtornos, e as mudanças inevitáveis em nossas vidas. O que o Aurélio não acrescenta, já que o contexto é outro, é que saímos mais fortalecidos deste processo!

Se, encararmos as mudanças apenas como ameaças, transformaremos nossas vidas num estresse sem fim, um verdadeiro inferno, com conseqüências ruinosas tanto no aspecto profissional, quanto no afetivo, social e finalmente, acarretando danos físicos e doenças. Todos sabem disto, pois não há quem não tenha vivido uma situação semelhante.

Claro que toda situação nova exige uma readaptação ou o desenvolvimento de uma nova atitude, um novo conhecimento ou competência. Mas o ponto não é este, o que realmente conta é como vemos e sentimos a situação, e esta avaliação depende do nosso nível de auto-exigência, o qual, por sua vez, está relacionado com o risco de falhar, com o julgamento das pessoas, com nossa necessidade de aprovação e reconhecimento. A boa notícia é: alterar isto só depende de nós!

Olhar os fatos em perspectiva ajuda muito. Às vezes, o que parecia ser terrível, com o tempo se demonstra ter sido muito melhor. Portanto, podemos acreditar que tudo que nos acontece, a cada momento, de alguma forma, contribui para o nosso crescimento pessoal, e por esta razão, é para o nosso bem.

A este propósito, transcrevo um trecho do livro Deixe a Vida Fluir (1) , do indiano Ramesh S. Balsekar, ex-presidente do Banco da Índia, recentemente falecido (setembro de 2009). A certa altura o autor narra uma antiga história taoísta sobre um fazendeiro cujo cavalo foi embora:

“Quando os vizinhos se juntaram naquela tarde para consolá-lo, por causa da sua má sorte, o fazendeiro disse: talvez. No dia seguinte, o cavalo retornou à fazenda e trouxe com ele meia dúzia de cavalos selvagens. “Quando os vizinhos se reuniram outra vez, agora para parabenizá-lo pela sua boa sorte, o fazendeiro, mais uma vez disse: talvez. No terceiro dia, seu filho quebrou a perna quando tentava selar e montar um dos cavalos selvagens. Diante das manifestações de simpatia dos vizinhos, o fazendeiro, novamente, disse: talvez. No dia seguinte, os oficiais de recrutamento foram até a cidadezinha para recrutar jovens para o Exército, mas o filho do fazendeiro foi recusado por causa de sua perna quebrada. De novo os vizinhos vieram à tardinha dizendo o quanto aquilo tinha sido bom e que tudo tinha acabado tão bem. E o fazendeiro ainda uma vez, disse: talvez”

Esta história, como podemos intuir, não tem nada a ver com conformismo, passividade, inércia, indiferença ou lassidão. Mas ao contrário, tem tudo a ver com como podemos encarar fatos sobre os quais não temos controle.

Podemos, por exemplo, tentar controlar, desesperadamente, todas as situações, nos exigindo desmedidamente, assumindo responsabilidades além da nossa capacidade de momento. Podemos ainda nos desesperar, lamentar a sorte ou simplesmente, fazer de conta que nada está acontecendo. Qualquer que seja a escolha neste caso, certamente, trará estresse e conseqüências negativas. Há ainda outra possibilidade, mais objetiva, que é reconhecer o que é possível de ser feito de momento e o que necessita mais tempo e preparação, antes de ser realizado.

A segurança para ter a atitude correta requer, em primeiro lugar, que observemos as situações nas quais estamos envolvidos com eqüidistância e em segundo lugar, que sejamos sinceros e honestos com nós mesmos para diferenciar o que é nosso desejo (fantasia) daquilo que é nossa real necessidade (realidade).

Fazer isto não é tarefa fácil, é verdade, mas também não é tão difícil e, a boa notícia é: construir uma vida mais equilibrada, gratificante e certamente, mais feliz, só depende de nós!

(1) Editora Theba Book, 2010

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