Quem um dia já não esteve desempregado?

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Sobre a transição de carreira

Chama se Transição de Carreira toda e qualquer mudança que ocorra em nossa vida profissional. As razões pelas quais somos levados a alterar nosso rumo profissional são inúmeras, e ainda que não possamos elencar todas, aqui vão algumas possibilidades: baixa identificação com a profissão, falta de motivação com a atividade desempenhada, promoção ou realocação, insatisfação com o empregador, demissão inesperada ou não, mudança de cidade ou país, realocação do companheiro (a) para outro centro, busca de melhor remuneração, aposentadoria compulsória ou voluntária, desejo de empreender um negócio próprio, para melhorar a qualidade de vida, a vontade de tentar algo diferente, etc. etc. etc.

É praticamente impossível listar todas as causas, que nos colocam numa situação de transição profissional. Mas o ponto mais importante não é elencar as possíveis causas, mas sim, reconhecer se chegamos a este ponto por vontade própria, ou seja, fruto de nosso planejamento, desejo consciente de alterar o nosso rumo profissional ou, ao contrário, se fomos pegos de surpresa, levados por circunstâncias externas fortuitas e inesperadas ou mesmo, em decorrência de erros de avaliação e decisões emocionais?

A resposta a esta pergunta, na grande maioria dos casos é: “não, não planejei nada, simplesmente aconteceu, e me vejo agora nesta situação, sem saber muito bem por onde começar”.

Eu próprio me vi nesta situação há 20 anos, quando decidi deixar a empresa na qual era um dos sócios minoritários. Minha decisão foi absolutamente emocional e garanto, intempestiva. Decidi do dia para noite, sem qualquer planejamento, acreditando apenas que quando anunciasse a minha saída, (a tal “transição de carreira”), haveria uma fila de empresas desejosas de contar com os meus préstimos… Bem, a verdade foi um pouco diferente, não só não se formou fila nenhuma, como pouco depois veio o Plano Collor e aí já não havia nem empresa querendo (podendo) comprar nada, quanto mais contratar executivos…

Passado o famoso “período de férias para recuperar a energia”, não havia mais como não reconhecer que estava desempregado, ou como se dizia na época: “era um problema social”, expressão cruel que só me fazia sentir pior, mais ansioso, inseguro e reconheço, com medo do futuro, do julgamento das pessoas e chateado comigo mesmo por me sentir na obrigação de dar justificativas. Minha auto-estima? Descia ladeira abaixo e lá ia ela…

Não ter uma atividade, um trabalho, uma função, para os homens e mulheres “fazedores”, isto é, aqueles que confundem suas obras com o seu valor pessoal, pode ser uma experiência de morte! É ai que mora o perigo: voltar a “fazer” o mais rápido possível, não importa o que, aonde, e até como, para não “ser um problema social…” e principalmente, deixar de se sentir vazio.

De novo, isto aconteceu comigo. Voltei a empreender novamente, mas não muito tempo depois, percebi que este empreendimento não tinha minha cara e, principalmente, minhas competências e experiências, não agregavam valor ao negócio, ou na melhor das hipóteses, muito pouco.

Não me sentia animado, motivado e muito menos, feliz. Mesmo assim, insisti por cerca de 3 anos, não porque acreditasse no negócio, mas por não querer voltar a ser o tal “problema social” e, principalmente, por não querer admitir que havia tomado uma decisão errada.

Quem não aprende com os erros, está fadado a repetí-los, diz o provérbio. Olhando em retrospectiva, agradeço aquele período da minha vida, tão difícil por um lado, mas que me propiciou tantas lições. Um aspecto interessante é que na época, nem imaginava que começava a construir uma nova carreira para mim, que só viria a se confirmar alguns anos depois.

Quero dividir com todos, algumas coisas que aprendi com esta experiência: 

  1. Decidir uma mudança de emprego, sem procurar entender a razão de nossos ressentimentos, mágoas e dificuldades de relacionamento, ou sob o efeito de qualquer emoção ou sentimento, definitivamente, não é uma boa idéia;
  2. Caso decida mudar, converse com a família antes, informe seus motivos, escute as ponderações deles, discuta as conseqüências e mudanças que ocorrerão no seu dia a dia. A família é o principal apoio que podemos ter, se corretamente envolvida na questão, caso contrário, pode tornar-se uma fonte de estresse;
  3. Prepare-se financeiramente para atravessar, sem rendimentos, o dobro do período que imagine que demorará a recolocação;
  4. Nem super, nem subavalie seu potencial. Seja realista e honesto com você mesmo. Isto evitará frustrações exageradas;
  5. Converse com os amigos e parentes e informe, sem constrangimentos, que está em busca de uma nova colocação. Peça ajuda;
  6. Caso surja uma oportunidade concreta, avalie com isenção, racionalmente. Procure obter a maior quantidade possível de informação, troque idéias e opiniões com quem pode, de fato, contribuir para uma decisão madura e ponderada;
  7. Ao fazer sua escolha, siga sua intuição, respeite seus valores e tenha presente seu Propósito Pessoal. Estes três aspectos são indissociáveis, são eles que, conjuntamente, validam nossa decisão e portanto, nos dão a tranqüilidade e a força para prosseguir, mesmo quando as coisas parecem realmente difíceis. 

Procurei tratar aqui da situação de estar desempregado, sem que a pessoa tenha se preparado, realmente, para isto. Abordei esta questão sob o meu ponto de vista particular, ou seja, à partir da experiência vivida. Claro que não se pode, nem é a intenção, generalizar. Entretanto, estou certo de que muitos poderão se identificar com o descrito acima.

Pretendo, num próximo artigo, abordar a questão da Transição sob o enfoque do Planejamento de Carreira, que é como acredito todos nós deveríamos tratar um aspecto tão fundamental de nossas vidas – o profissional.

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