SOBRE CULPA E RESPONSABILIDADE

SOBRE CULPA E RESPONSABILIDADE

A culpa é conseqüência da nossa inconsciência. Que inconsciência?

A de não assumirmos a responsabilidade por nossos sentimentos, emoções, palavras, atitudes e até mesmo, pelos nossos pensamentos. Ao não nos responsabilizarmos, nos colocamos no papel da vítima indefesa, imatura e inconseqüente. Nestas ocasiões nos sentimos profundamente injustiçados e, passo seguinte, tratamos de encontrar um culpado pelos nossos infortúnios, frustrações e dor. Os culpados são os de sempre, claro: pais, filhos, cônjuge, irmãos, cunhados, chefes, colegas, amigos, vizinhos, políticos, Governo e, esgotadas as alternativas mais óbvias, o destino, o azar, o acaso e, última instância, DEUS!

Estar no papel da vítima significa que alguém assumiu a posição de algoz, carrasco, agressor, inimigo, etc. Bem, todos concordam que é humano sentir raiva, rancor, ódio mortal e nutrir desejos de vingança e revanche por quem nos tratou de forma tão cruel, traiçoeira, pérfida, injusta e imerecida. Acontece que nestas situações ninguém quer mostrar, abertamente, que tem tais sentimentos e que, portanto, acabam sendo  acobertados, camuflados, dissimulados ou totalmente reprimidos.

Temos uma tendência natural de buscar a harmonia, a integração, a união com outras pessoas, com a natureza, com o Tudo que há. É um anseio intenso que nasce do recôndito mais profundo do nosso Ser. É por esta razão que toda vez que nos desentendemos com alguém, vivemos um conflito, uma disputa, que nos leva a ter emoções negativas por esse alguém, acabamos por nos sentir vazios, oprimidos, com o “coração apertado”, e acreditamos que, de alguma forma, somos culpados.

Relacionamentos baseados na culpa, ou que embutem o sentimento do ter que  “pagar a dívida”, acabam por gerar, na parte que se sente devedora ou culpada, uma vaga necessidade de compensar a outra pessoa por algo que, definitivamente, não se tem consciência. As atitudes são forçadas, falsas, não têm flexibilidade, leveza, tornam-se uma obrigação, há o desejo de poupar a outra parte, agradá-la, retribuir, satisfazê-la por algo que não recebeu, mas que deveria ter recebido. Em contrapartida e curiosamente, quem recebe tanta “atenção” passa a se acreditar, de fato, devedora e merecedora de alguma coisa e se torna exigente, demandadora, e “escraviza” o outro, que aceita a situação como devida e “justa”. Em resumo: um relacionamento com pouca ou nenhuma chance de dar certo.

Os relacionamentos podem ser preservados, mantidos, resgatados, sempre que assumimos a nossa cota de responsabilidade pelo que causou o conflito ou o desentendimento, seja isto o descumprimento de uma obrigação, uma atitude equivocada ou a recusa de um sentimento. Claro que há sempre razões de ambas as partes e muitas vezes, a reclamação é exagerada e até mesmo injusta. Mas isto deve ser explicitado, conversado, esclarecido.

Aceitar e reconhecer que não poderíamos ter feito diferente por falta de conhecimento, por incapacidade física, ou até mesmo porque não percebemos corretamente o que acontecia, não aumenta a culpa, ao contrário, a diminui pela simples e boa razão de assumirmos, com honestidade e responsabilidade, algo no qual falhamos. É esta honestidade que abre as portas para o entendimento, que pode até demorar, mas que em dado momento ocorrerá.

Não somos perfeitos, mas devemos buscar a perfeição. Nosso propósito de vida é ampliar nossa consciência, e isto só pode acontecer na medida em que assumimos a responsabilidade por nossa vida. Quando admitimos honesta e corajosamente, nossa imperfeição, nossas falhas, nossos sentimentos negativos e destrutivos, criamos a possibilidade de transformar tudo que deve ser transformado.

A auto-responsabilidade, ao contrário da culpa, nos liberta do papel da vítima e do algoz, eleva a auto-estima, mas não nos desobriga do dever de melhorar!.

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