Seu cartão de visitas na busca de um emprego.
O currículo desempenha o papel de “cartão de visitas”, de “apresentação impressa” no processo de busca e conquista de uma nova oportunidade de trabalho. Como fazer o currículo?
Esta é uma dúvida comum que pode ser sanada com a ajuda de dicas fornecidas por um consultor experiente.
Para o consultor Ricardo Porto, toda pessoa que vai elaborar seu CV deve ter em mente dois objetivos, um “interno” e outro “externo”, por assim dizer. “Ambos são igualmente importantes e, diria, interdependentes”, completa.
“O objetivo interno é o de autoconhecimento. É como fazer uma reflexão sobre nossa vida sob o ponto de vista profissional. É a revisão, como numa linha do tempo, da carreira, incluindo todos os dados concretos, tais como: as empresas onde trabalhamos em cada período, os cargos que ocupamos em cada uma, os cursos, a formação acadêmica e assim por diante. Devemos também lembrar nossas conquistas, nossos feitos, as premiações e as promoções que recebemos, os projetos importantes, etc. Este inventário profissional deve ser meticuloso, amplo e completo, pois seu objetivo é o de levantar dados e informações objetivas mas, mais importante do que isto, deve servir de fonte para descobrirmos nossos talentos, aquilo que fizemos bem, com alegria, com o mínimo de esforço, aquilo que foi apreciado e reconhecido. Mas, também deve servir para reconhecermos o contrário: o que não deu certo e porque não deu certo, o que foi penoso, cansativo, os problemas, aborrecimentos e dificuldades que tivemos, por que mudamos de emprego, etc. Ter consciência e clareza sobre este lado que não “funcionou” não é fácil, mas é indispensável, é a fonte do aprendizado. Afinal, só podemos corrigir o que reconhecemos”, ensina o consultor.
Ao final desta retrospectiva, se tiver sido cuidadoso, criterioso, honesto e sincero consigo mesmo, terá feito não apenas importantes descobertas sobre quem é, mas estará pronto para passar para o objetivo “externo” do CV. “E mais ainda, já estará se preparando para a fase subseqüente do processo seletivo, que é realmente a que interessa: a entrevista pessoal”, comenta.
O objetivo “externo” do CV, de acordo com Porto, não é apenas o de se apresentar, mas, principalmente, o de se “vender” para o requisitante da posição, o “dono” da vaga propriamente dito. Portanto, como em toda a venda, deve-se destacar as qualidades do “produto”, si próprio no caso, para atender às necessidades do “cliente”, ou seja, o requisitante. “Vale à pena insistir neste ponto: por melhor que seja o “produto” se o “cliente” não perceber que ele pode atender às suas necessidades, não vai perder tempo em analisar a possibilidade de “comprá-lo”, até porque, a oferta de “produtos” é muito grande”, compara.
Isto significa que se há interesse numa posição de vendas, tem que mostrar as qualificações e experiências específicas para este cargo, tais como: um histórico de vendas positivo, uma carteira de clientes com qualidade, expressivo volume de vendas, prêmios conquistados, além de, naturalmente, apresentar experiência anterior ocupando cargos similares ou equivalentes. O mesmo princípio aplica-se a qualquer outro cargo, seja ele técnico, administrativo, financeiro, industrial, projetos, etc.
Ricardo Porto ressalta que, muitas vezes, é preciso preparar diferentes versões do nosso CV. Uma versão mais específica, direcionada para um determinado cargo, e outra mais genérica, recomendada quando se deseja demonstrar conhecimentos amplos e a capacidade de ocupar cargos diferentes, mas dentro de uma mesma área.
E como elaborá-lo? O consultor explica…
Cabeçalho: incluir nome completo, endereço, telefones para contato, e-mail, estado civil e data de nascimento. Muitas pessoas omitem esta informação, por receio de ser “cortado” pela idade. É muito melhor dizer claramente, do que deixar o requisitante fazer contas e tentar deduzir a idade por conta própria, pois ele pode errar feio e sempre para mais…
Objetivo: é o cargo que se deseja, ou cargos. Ou ainda a área onde se deseja atuar. Exemplo: Agente Comercial; Gerente Financeiro; Gerente de Negócios / Relacionamento; Gerente /Diretor de Recursos Humanos (neste caso, o porte da empresa é que vai determinar qual dos dois cargos se aplica melhor à experiência do candidato); Área Comercial.
Principais Qualificações: citar na forma de tópicos ou itens os anos de experiência em determinada função, conhecimentos específicos dentro da função, habilidade no gerenciamento de equipes ou facilidade de relacionar-se com colegas e superiores, comprometimento com o trabalho, responsabilidade, visão estratégica, etc. Neste ponto, a reflexão sobre a carreira feita anteriormente vai ajudar muito.
Principais Realizações: neste bloco, também na forma de itens, deve-se mencionar as conquistas, os projetos de sucesso, citando números que dimensionem o feito, como por exemplo: redução nos custos de 15% em um ano ou, aumento de vendas de 15%, ou superação da cota de vendas em 10%, a conquista de prêmio por atingir metas ou conclusão de projeto importante, gerenciamento de uma verba de propaganda de tantos milhões, e assim por diante.
Histórico Profissional: listar as empresas onde trabalhou, começando pela última ou a atual. Citando: nome da empresa, período em que permaneceu, posição ou posições ocupadas e o período de cada, mostrando sempre a evolução da carreira. Se a empresa não for muito conhecida, convém mencionar o segmento de atuação e o porte (pequeno ou médio).
Participação em Entidades ou Associações: é importante informar a participação em associações de classe, clubes de serviço como Rotary, sindicatos, ONGs, serviços voluntários ao Terceiro Setor, como forma de indicar comprometimento com causas sociais ou ambientais.
Formação: comece pelo último curso. Se tiver nível universitário não é necessário indicar as escolas anteriores. Informe ano de conclusão e os cursos que se sucederam: MBA, mestrado e doutorado. Se não tiver completado o nível superior, indique o último nível alcançado.
Cursos Complementares: indique apenas os relevantes e com relação ao cargo pretendido.
Idiomas: seja absolutamente realista. Exemplo: inglês fluente para leitura e compreensão e intermediário para conversação e escrita. É muito comum informar fluência num idioma e na entrevista pessoal a realidade ser bem diferente. Aí é um vexame e acaba por comprometer a credibilidade do profissional. Sinceridade acima de tudo!
Viagens: apenas as relevantes para a vida profissional. Viagens de turismo nem pensar.
Encaminhando o currículo
Elaborado o currículo, vamos à entrega do documento. Como encaminhá-lo? “Pode ser pessoalmente ou mesmo via e-mail ou Correio” explica Ricardo Porto.
Na primeira opção, o CV deve ser entregue em mãos, se for um amigo ou conhecido, ou a alguém que se ofereceu para servir de intermediário até o destinatário final. Ou ainda, diretamente na empresa se conhecermos o requisitante ou alguém do RH. Pode também ser o caso de se conhecer o recrutador (“headhunter”) em alguma consultoria especializada. “Neste caso não perca a oportunidade de falar com ele”, ensina o consultor.
Se o envio for por e-mail ou correio, é recomendável incluir uma carta de apresentação, informando o desejo do candidato de fazer parte do quadro de funcionários da empresa e de que forma sua experiência profissional e conhecimentos poderão trazer benefícios para a empresa. Ela deve ser encaminhada ao responsável pelo processo de seleção – o responsável no RH ou o próprio requisitante, desde que conhecidos – e tem como objetivo fazer com que o requisitante ou o selecionador leia o CV.
Com a informatização cada vez maior dos processos seletivos, tornou-se comum as empresas disponibilizarem em seu site as vagas em aberto e um local para os interessados cadastrarem seu CV. Neste caso a inclusão do CV segue um padrão determinado pela própria empresa e que já foi concebido para facilitar a pesquisa por palavras-chave. O mesmo procedimento é possível de ser feito em sites de empregos, que se tornaram grandes aliados dos profissionais em busca de nova colocação no mercado de trabalho. A questão nestes casos é que o profissional fica com pouco controle do processo seletivo, que fica inteiramente nas mãos dos sites, por assim dizer.
Dicas Importantes
Sintetize: todas as informações devem estar contidas em 2 páginas. Lembre se da quantidade de CVs que um selecionador recebe. Um CV longo e prolixo é descartado na maioria das vezes.
o Simplicidade: nada de termos difíceis, muito menos tentar demonstrar “ser especial”.
Apresentação: o CV pode ter o seu estilo, mas sem exageros nem excesso de criatividade. Siga o padrão, a menos que você seja um Designer ou Artista Gráfico e queira dar uma idéia da sua capacidade. Mas cuidado, seja comedido e lembre se que nestes casos, numa entrevista pessoal, é necessário apresentar o book com os trabalhos realizados.
Honestidade: seja absolutamente verdadeiro. Não informe nada que não possa provar na prática. Confie na máxima que diz: “Não tente se mostrar mais do que é, por medo de ser avaliado por menos”.
Foco no positivo: não escreva nada que possa dar margem a interpretações negativas ou críticas a ex-empregadores.
Revisão: revise o CV em busca de inconsistências, omissões, “gerundismos”, gírias, jargões, frases feitas e principalmente, erros de português. Estes, normalmente, são fatais. Na dúvida, peça ajuda na revisão do texto e na avaliação da clareza do texto.
Não delegue: não peça para outra pessoa fazer o seu CV. É importante o processo de elaboração, porque ajuda na entrevista pessoal, já que as informações estarão “frescas” na mente. Pedir ajuda na formatação e na revisão do texto é outra coisa.
Informe o que você tem de melhor: não se sinta constrangido de mencionar as suas qualidades e conquistas. Não há nada de errado em mencionar o nosso diferencial único, que por sinal pode fazer a diferença. Errado é mentir!
Priorize: informe logo no início o que você julga que é relevante para a posição em questão. De novo: o selecionador não tem muito tempo e quanto mais rápido ele souber o que interessa, tanto melhor.
Primeiro Emprego: quando ainda não se tem experiência profissional para informar, enfatize o histórico escolar, a participação em torneios, grêmios ou associações estudantis, trabalhos voluntários e comunitários e principalmente, não deixe de mencionar as qualidades pessoais: facilidade de relacionamento, de aprendizado, responsabilidade e disciplina e assim por diante.
Lembre-se: não se envergonhe nem se sinta culpado por ser jovem e inexperiente. Todos nós já fomos um dia, inclusive o selecionador. Lembre-se que sempre há um começo, para tudo.

Para entrar em contato com Ricardo Porto, por favor encaminhe e-mail para rporto@phoenixconsultoria.com.br
Obrigada
Spoke Assessoria de Imprensa
Excelente artigo, Ricardo! O formato de avaliação interna funciona muito para revermos nossa trajetória profissional e podermos trabalhar nossos pontos fracos e fortes.
Abs, Fernanda