“De todos os julgamentos que fazemos, nenhum é tão
Importante, quanto o que fazemos de nós mesmos” Nathaniel Branden

1. DEFINIÇÕES E CONCEITOS
Auto-estima significa ter amor por si mesmo, significa se gostar, se sentir bem consigo mesmo, valorizar-se na medida certa!. É algo freqüentemente ausente na maioria das pessoas em virtude de sentimentos inconscientes e conscientes, algumas vezes, até bem conscientes.
Sentimentos de inadequação, insegurança, confusão, medo, culpa, negatividade, rejeição, inferioridade e menos valia, por exemplo, afetam diretamente nossa auto-avaliação e conseqüentemente, nossa auto-estima. Muitas pessoas se referem á auto estima como sendo amor próprio, o que também está correto, já que as duas expressões têm o mesmo significado.
A auto-estima, é importante destacar, é uma experiência pessoal, reside no íntimo do nosso ser. É o que eu penso e sinto sobre mim mesmo, não o que o outro pensa e sente sobre mim. Tanto isto é verdade que, muitas vezes recebemos um elogio ou um feedback positivo mas, de alguma forma, não nos sentimos, verdadeiramente, merecedores dele, seja porque julgamos que a tarefa não era importante ou fácil demais, seja por que acreditamos que foi, meramente, uma questão de sorte… É certo também que uma crítica negativa, vinda de alguém que respeitamos, pode alterar nosso estado de espírito, e normalmente altera mesmo, mas isto apenas em virtude deste comentário “confirmar” algo que já sabemos e/ou acreditamos sobre nós mesmos.
“A forma como nos vemos ou seja, o nosso auto-conceito, influencia todos os aspectos da nossa experiência, desde a maneira como agimos no trabalho, no amor e no sexo, como atuamos como pais e determina até onde, provavelmente, subiremos na vida. Nossas reações aos acontecimentos cotidianos são determinadas por quem e pelo que pensamos que somos. Os dramas de nossa vida são reflexos da avaliação que fazemos de nós mesmos. Assim a auto-estima é a chave para o sucesso ou para o fracasso e, também, para entendermos a nós mesmos e aos outros”
A questão fundamental está, realmente, em saber ou responder às seguintes indagações: No que eu acredito? O que me foi ensinado e dito, de fato, é verdade? Continua válido? Se aplica a mim? Quero ser desta forma? Posso ser desta maneira? Me sinto bem, sendo assim? Está de acordo com meus valores, propósito e princípios?
Não são perguntas com respostas fáceis ou imediatas. As respostas exigem, em primeiro lugar, que sejamos honestos com nós mesmos. Em segundo lugar, que estejamos atentos ao que se passa com nosso corpo, quando chegamos a uma dada resposta. Qualquer sinal de ansiedade, desconforto ou premência, pode significar que não temos a resposta definitiva. Então paramos, respiramos e tentamos outra vez mais tarde…
“A auto-estima tem dois componentes: o sentimento de competência pessoal e o sentimento de valor pessoal. Em outras palavras, a auto-estima é a soma da autoconfiança com o auto-respeito. Ela reflete o julgamento implícito que fazemos de nós mesmos, no que se refere à nossa capacidade de lidar com os desafios da vida (entender e dominar os problemas) e do direito de ser feliz (respeitar e defender os próprios interesses e necessidades.). Neste sentido, ter uma auto-estima elevada é se sentir adequado à vida, isto é, competente e merecedor”
Ter auto-estima, amor próprio, é algo absolutamente indispensável e imprescindível para qualquer pessoa, pois a felicidade que podemos alcançar depende, diretamente, do nível da nossa auto-estima. A questão fundamental do amor próprio é exatamente isto, o nível, a quantidade, o grau. Na absoluta maioria dos indivíduos, o grau da auto-estima encontra-se em um de dois extremos, ambos distorcidos e doentios: no excesso ou na falta de amor próprio.
As pessoas maduras, psicologicamente saudáveis, têm um grau de auto-estima equilibrado, eqüidistante destes dois extremos. Nestes casos, são capazes de reconhecer tanto suas qualidades e pontos fortes, e desenvolvidos, quanto suas limitações, fraquezas, e os pontos que precisam ainda ser desenvolvidos. Estes indivíduos, não só conhecem seus limites, mas principalmente os respeitam.
No amor próprio saudável, reconhecemos nossas conquistas como sendo fruto do nosso esforço e competência. Não nos vangloriamos externamente dos nossos feitos, mas aceitamos com tranqüilidade o reconhecimento e o elogio que vêm dos outros, e fazemos isto sem qualquer resquício de falsa modéstia. Sabemos que é justo e que o merecemos, apenas isto. Quando falamos sobre nossas vitórias, o fazemos sem “vergonha” e sem constrangimentos, pois não temos a intenção de nos auto promover mas, de dar testemunho e ensinar. Não há orgulho, mas a satisfação por termos feito o que era certo. Aliás, esta certeza é a mola propulsora para novas conquistas, é a motivação auto sustentada, que faz com que atuemos sem visar um benefício próprio imediato ou uma recompensa vinda do exterior, mas apenas, a auto-satisfação de atuar de forma honesta, íntegra, responsável, produtiva e que trará benefícios para todos. O interessante, entretanto, é que a compensação externa, o reconhecimento, sempre virá, de uma forma ou outra, como resultado de nosso bom trabalho e de nossas atitudes desinteressadas.
As religiões, de modo geral, nos ensinam que gostar de nós mesmos, visar nossos interesses é errado, é pecado! Entretanto, em nenhum lugar das escrituras ou de qualquer outro ensinamento espiritual está escrito ou dito, que não devemos amar a nós mesmos. Mas, ainda assim, parece que sentimos um certo desconforto toda vez que devemos tomar uma decisão que implique em benefício para nós, como se, de fato, fosse errado, pecaminoso, obter algo que nos traga vantagens. É importante evitar este comportamento, pois acreditar que estamos assumindo uma posição egoísta pode não ser verdade e não há mesmo uma regra fixa para se saber. Muitas vezes não atinamos qual é a decisão certa, o que é bom e o que é errado, já que as coisas não são tão simples assim, preto no branco. Mas fato é que, ao fazermos escolhas, tomarmos decisões, alguém pode sair ferido, e este alguém não precisa ser, necessariamente, nós e nem por isso a decisão estará incorreta. De qualquer forma, esta situação trás confusão e acaba prejudicando nossa capacidade para tomar decisões, e tomar decisões é um pré-requisito da vida saudável e de todo líder.
Não se amar, significa autopunição, masoquismo, negação da personalidade e principalmente, significa não honrar nossa origem divina. A falta de amor próprio nos impede de amar e ajudar os outros e de atuar com segurança, autoconfiança e integridade. O exercício da liderança equilibrada e justa, por exemplo, depende, diretamente, do nível da nossa auto-estima ou da intensidade do nosso amor próprio.
1. Nathaniel Branden, in Como Aumentar sua Auto-Estima, 1987
2.Idem, ibidem.

Caro Ricardo,
Parabéns pela inicitaiva, julgo muito nobre de sua parte compartilhar seu conhecimento.
Gostei da matéria e aguardo as próximas.
Sucesso!